
Éramos
seis chefes da Alcatéia do Goyotin: Maria
Helena Simon de Moraes - Bagheera, Maria Lúcia
(Malú) - Chil, Neide Saroba Baloo, Marta
- Hathi, Ana Rosa Salowicks - Kaa e Mara Gomes
Protta – Akelá. Depois de alguns
anos de trabalho no Grupo Escoteiro Goyotin, resolvemos
que era hora de seguir em direção
a novos caminhos. Compartilhei com o Erasmo então
Chefe da Tropa Escoteira do Goyotin e com a Lena,
sua esposa. Imediatamente ambos aceitaram e vibraram
com a idéia de abrirmos outro Grupo em
Tatuí. Afinal a cidade estava crescendo
e havia muita criança precisando de espaço
no Movimento.
Precisávamos
ampliar a atuação do Escotismo na
comunidade. Isso era mais ou menos fins de agosto
e início de setembro de 1983. Eu iria fazer
o Curso de Adestramento Avançado nos dias
09 a 13 de setembro, ainda como membro do Goyotin.
Após reunir toda a chefia que aceitara
este novo desafio, resolvemos procurar uma entidade,
preferencialmente uma igreja, que acolhesse a
idéia, pois nosso desejo era fazer escotismo
para comunidade de baixa renda. No momento adequado,
apresentamos nosso pedido de desligamento e os
motivos que nos levaram a tal decisão.
Com exceção da Neide, todos estavam
decididos a continuar o trabalho em nova frente.
A Neide estava firmando o namoro com o Almir,
seu esposo hoje e decidiu que era hora de parar
de atuar no Movimento. Sentimos muito perder tão
boa companheira, mas compreendemos e aceitamos.
Naqueles dias fui para o CAA em São Paulo
e durante cinco dias pude reavaliar toda a situação
e cheguei à conclusão que a separação
era a melhor coisa para nós e para a cidade
que ganharia mais um grupo.
Tivemos
mais dois meses de atividades e fizemos questão
de completar nossos compromissos com o grupo e
com as crianças até o encerramento
do ano. Pedimos então o afastamento à
Comissão Executiva do Goyotin e partimos
para a concretização dos nossos
planos. A primeira pessoa que pensamos em buscar
apoio foi exatamente quem nos abriu a porta, o
Padre Pássaro da Paróquia da Santa
Cruz. Fizemos uma visita a ele e expusemos nosso
projeto, ele se mostrou completamente a favor
e nos concedeu o pátio e as dependências
da antiga igreja para alojar a sede de nosso futuro
Grupo. Imediatamente começamos a divulgar
nosso trabalho na comunidade e fizemos uma palestra
Informativa para todos os interessados. Foi uma
delícia ver nosso sonho começar
a crescer e tomar forma. As famílias eram
muito simples e havia um clima extremamente agradável
e acolhedor naquela comunidade. Nós nos
sentíamos úteis e queridos ali.
Uma
das coisas mais difíceis foi a escolha
do nome. A Neide e eu chegamos a ir a São
Paulo para pesquisar na Biblioteca Municipal,
dicionários de Tupy- Guaraní. Encontramos
muitas idéias, mas duas foram as mais atraentes.
A Neide gostou do Tupancy e eu de Araporã
(arrebol-de a + Lat. rubore, rubor s. m.,cor de
fogo que as nuvens tomam ao romper da aurora ou
ao pôr-do-sol; rosicler.). Imagina se num
grupo formado dentro de uma comunidade católica
a dar outra coisa !!!! Mas ainda acho que deveria
ser Araporã! É lindo e tem presença!
Imaginem, Grupo Escoteiro Araporã, rs!
Fizemos
as primeiras reuniões de Comissão
Executiva, já então nomeada conforme
as instruções da época. Não
precisávamos esperar mais nada, pois todos
os escotistas estavam devidamente capacitados
pelos cursos oficiais.
Começamos
com uma Alcatéia e uma Tropa Escoteira.
Dos filhos dos chefes tínhamos o Rodrigo
(do Erasmo e da Lena), o Francis (da Malú)
e o Alessandro (da Ana Rosa) sendo que os dois
primeiros já tinham feito Promessa e o
Alessandro iniciou no Tupancy. As atividades,
com Autorização Provisória
da UEB/SP começaram em fevereiro se não
me engano. Marcamos então a inauguração
do Grupo Escoteiro Tupancy para o dia 08 de abril
de 1984, com a Promessa de nosso primeiro membro
juvenil: o Lobinho Alessandro Salowicks.
A
festa foi muito bonita. Representando a UEB veio
o Arnaldo Zuercher. Convidamos o Grupo Escoteiro
Raposo Tavares que era muito chegada a nós
naquela época e o Grupo Escoteiro Goyotin.
Fizemos um altar de bambu, bem à moda escoteira
e as mães prepararam uma deliciosa mesa
de comes e bebes. Tudo era alegria. Tínhamos
até uma placa de inauguração.
Era uma grossa placa de madeira onde constava
o nome de toda a Comissão Executiva e Chefia.
A
primeira sede foi na igreja Santa Cruz, no bairro
apelidado de colina verde nos tempos antigos.
Infelizmente a igreja tinha outros planos para
as dependências. Foi a melhor sede que já
tivemos. Eu ainda me lembro do clima, do cheiro
e das risadas que dávamos lá. Foi
muito bom!
A
segunda sede foi na escola Tomás Borges,
também na Santa Cruz. Ficamos algum tempo
lá. Nossa terceira sede foi na escola Chico
Pereira, lá tínhamos uma casa só
para nós. Era uma construção
que ficava bem na esquina na parte mais elevada
do terreno do colégio.
Tempo depois, através do Sgto. Castelani,
a Loja Maçônia resolveu adotar o
GE Tupancy e nos concedeu a área dos fundos
da loja e uma sala com uma varanda grande e um
grande terreno para as atividades.
Nossa quinta e atual sede se encontra em terreno
próprio, contamos com dependências
amplas e modernas com um bom espaço para
as atividades ao ar livre.
É
isso! Um grande abraço a todos que conheci
e tive o prazer de compartilhar bons momentos.
E também àqueles que não
conheci, mas que tenho como companheiros, já
que usam este lenço do qual tenho o orgulho
de dizer que idealizei.
Sempre Alerta,
Mara
Protta
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